Auditoria independente: como preparar a empresa para um processo mais eficiente e sem surpresas

Compartilhe

A auditoria independente costuma ganhar visibilidade dentro da empresa quando a lista de documentos chega, as primeiras reuniões são marcadas e os responsáveis por cada área começam a receber solicitações.

Nesse momento, porém, grande parte das condições que determinarão a eficiência do trabalho já foi criada.

Saldos sem conciliação, contratos desorganizados, estimativas sem memória de cálculo, diferenças antigas, acessos não liberados e responsabilidades pouco claras dificilmente serão resolvidos apenas durante os dias reservados para o trabalho da auditoria.

A preparação precisa começar antes.

Quando a empresa organiza seus processos ao longo do exercício, a auditoria tende a avançar com mais previsibilidade. Os documentos são encontrados com facilidade, as explicações possuem suporte, as áreas sabem como responder e os ajustes identificados podem ser analisados com o tempo necessário.

A organização também melhora a própria qualidade da informação contábil. O benefício, portanto, ultrapassa a emissão do relatório dos auditores.

Uma empresa preparada conhece a composição de seus saldos, mantém evidências das operações relevantes, controla suas estimativas e consegue explicar como as informações chegam às demonstrações contábeis.

Como preparar uma empresa para a auditoria independente?

A preparação para a auditoria independente deve combinar cinco frentes:

  1. fechamento e conciliação dos saldos;
  2. organização das evidências e documentos;
  3. revisão dos controles e processos relevantes;
  4. definição de responsáveis e prazos;
  5. comunicação antecipada com os auditores.

O ponto de partida é garantir que as demonstrações contábeis submetidas à auditoria estejam completas, consistentes e sustentadas por registros e documentos.

A administração permanece responsável pela elaboração das demonstrações contábeis e pelos controles internos que considerar necessários para permitir a preparação de informações livres de distorções relevantes. Também deve proporcionar ao auditor acesso aos registros, às informações adicionais solicitadas e às pessoas necessárias para a obtenção das evidências.

Uma auditoria eficiente depende, portanto, da atuação coordenada entre auditor, contabilidade, controladoria, financeiro, jurídico, fiscal, recursos humanos, tecnologia e demais áreas relacionadas às informações examinadas.

Qual é o objetivo da auditoria independente?

O objetivo da auditoria das demonstrações contábeis é aumentar o grau de confiança dos usuários sobre essas informações.

Para isso, o auditor expressa uma opinião sobre se as demonstrações foram elaboradas, em todos os aspectos relevantes, de acordo com a estrutura de relatório financeiro aplicável.

O trabalho é conduzido para a obtenção de segurança razoável de que as demonstrações, consideradas em conjunto, estão livres de distorções relevantes causadas por erro ou fraude.

Segurança razoável representa um nível elevado, mas não absoluto, de asseguração. As normas reconhecem limitações inerentes ao trabalho de auditoria e estabelecem que o auditor deve obter evidência apropriada e suficiente para reduzir o risco de emitir uma opinião inadequada a um nível aceitavelmente baixo.

Essa distinção é importante para alinhar expectativas.

A auditoria examina riscos, saldos, transações, estimativas, divulgações e controles relevantes. A natureza e a extensão dos testes são definidas segundo o planejamento, a materialidade e os riscos identificados.

O trabalho não corresponde a uma revisão individual de todas as transações realizadas pela empresa.

Por esse motivo, a preparação adequada deve concentrar atenção nas áreas mais relevantes e complexas, sem abandonar a consistência geral dos registros.

Quem é responsável pelas demonstrações contábeis auditadas?

A responsabilidade pelas demonstrações contábeis é da administração da entidade.

Essa responsabilidade abrange:

  • elaboração das demonstrações conforme a estrutura contábil aplicável;
  • manutenção dos controles internos considerados necessários;
  • registro completo das transações;
  • disponibilização de documentos e informações;
  • acesso dos auditores às pessoas relevantes;
  • análise e aprovação dos ajustes;
  • avaliação de estimativas e julgamentos;
  • apresentação adequada das divulgações.

A auditoria não transfere essas responsabilidades para o auditor independente. As demonstrações continuam sendo elaboradas e aprovadas pela administração, com a supervisão dos responsáveis pela governança.

Ao final do trabalho, a administração também pode ser solicitada a fornecer representações formais por escrito sobre o cumprimento de suas responsabilidades e a integridade das informações fornecidas.

Essas representações fazem parte das evidências do trabalho, embora não substituam outros documentos, testes e procedimentos necessários.

Por que algumas auditorias se tornam demoradas e desgastantes?

O desgaste normalmente resulta da combinação entre preparação tardia, informações fragmentadas e processos que acumulam pendências durante o ano.

Entre as causas recorrentes estão:

  • fechamento contábil ainda em andamento;
  • conciliações incompletas;
  • diferenças antigas sem explicação;
  • documentos armazenados em locais distintos;
  • responsáveis que desconhecem as solicitações;
  • relatórios extraídos com critérios diferentes;
  • contratos sem vinculação aos lançamentos;
  • estimativas sem premissas documentadas;
  • alterações realizadas após o início dos testes;
  • respostas fornecidas sem evidências;
  • baixa disponibilidade das equipes;
  • solicitações atendidas parcialmente.

Quando o auditor recebe uma base incompleta, o trabalho precisa ser refeito após cada atualização.

Uma movimentação aparentemente simples pode gerar diversas consequências.

Se o saldo de contas a receber é alterado depois da seleção das amostras, por exemplo, pode ser necessário refazer a amostragem, revisar a conciliação, confirmar a origem da diferença e avaliar os reflexos nas estimativas de perda.

A eficiência depende de uma base relativamente estável.

Por isso, a empresa deve definir uma data de corte para as informações, concluir as conciliações prioritárias e controlar rigorosamente os lançamentos posteriores.

Quando deve começar a preparação para a auditoria?

A preparação deve ocorrer ao longo do exercício, com maior intensidade nos meses que antecedem a data-base.

O planejamento da auditoria envolve a definição da estratégia global e o desenvolvimento de um plano de trabalho. Segundo a NBC TA 300, um planejamento adequado ajuda o auditor a dedicar atenção às áreas importantes, identificar problemas tempestivamente, organizar o trabalho e alocar profissionais com as competências necessárias.

A empresa auditada também se beneficia de um planejamento próprio.

De 90 a 120 dias antes

Nesta etapa, a empresa deve:

  • confirmar o escopo e o cronograma;
  • conhecer as principais datas;
  • revisar a lista preliminar de solicitações;
  • identificar operações novas ou incomuns;
  • avaliar mudanças em sistemas, contratos e estrutura societária;
  • definir os responsáveis internos;
  • revisar pendências do exercício anterior;
  • iniciar as conciliações mais complexas;
  • comunicar a auditoria às áreas envolvidas.

Também é o momento adequado para informar antecipadamente ao auditor fatos relevantes, como:

  • aquisições ou venda de empresas;
  • reestruturações;
  • novos financiamentos;
  • mudanças no modelo de negócios;
  • implantação de ERP;
  • reorganizações societárias;
  • contingências relevantes;
  • transações com partes relacionadas;
  • alterações em políticas contábeis;
  • operações com instrumentos financeiros;
  • reconhecimento de ativos ou passivos relevantes;
  • dificuldades de liquidez.

A comunicação antecipada permite que os auditores planejem especialistas, procedimentos e prazos compatíveis com o risco e a complexidade.

De 60 a 90 dias antes

A atenção deve se voltar aos saldos, processos e documentos.

A empresa pode realizar uma revisão prévia das contas mais relevantes, confirmar a disponibilidade dos suportes e testar se os relatórios extraídos dos sistemas são reconciliáveis com a contabilidade.

Também é recomendável revisar o andamento dos inventários, das confirmações externas, das avaliações de ativos e das estimativas.

De 30 a 60 dias antes

As conciliações precisam estar em estágio avançado.

Cada conta relevante deve possuir:

  • composição do saldo;
  • conciliação com o razão;
  • identificação das diferenças;
  • suporte documental;
  • responsável;
  • data da preparação;
  • evidência de revisão;
  • plano para regularização das pendências.

A empresa também deve preparar uma primeira versão das demonstrações e notas explicativas. Deixar todas as divulgações para os últimos dias concentra trabalho, aumenta o risco de inconsistência e reduz o tempo para revisão.

Durante o trabalho de campo

A prioridade passa a ser o controle das solicitações.

A empresa deve manter uma lista centralizada com:

  • número da solicitação;
  • descrição;
  • área responsável;
  • prazo;
  • status;
  • documento enviado;
  • data de envio;
  • dúvidas em aberto;
  • retorno do auditor.

Esse controle evita pedidos duplicados, respostas perdidas e versões diferentes do mesmo documento.

O que deve ser alinhado na reunião de planejamento?

A reunião inicial precisa produzir clareza operacional.

Os seguintes pontos devem ser discutidos:

  • objetivo e alcance da auditoria;
  • data-base;
  • estrutura contábil aplicável;
  • empresas e unidades incluídas;
  • sistemas utilizados;
  • cronograma;
  • datas do inventário;
  • prazo para entrega das demonstrações;
  • responsáveis por cada área;
  • formato das informações;
  • procedimento para acessos;
  • confirmação com bancos, clientes, fornecedores e advogados;
  • uso de especialistas;
  • reuniões com governança;
  • data prevista para emissão do relatório.

Os termos do trabalho devem formalizar o objetivo, o alcance, as responsabilidades do auditor, as responsabilidades da administração, a estrutura de relatório financeiro e a forma esperada dos relatórios.

Uma falha frequente ocorre quando a reunião é tratada apenas como apresentação institucional.

O planejamento precisa chegar ao nível dos processos. A empresa deve sair sabendo quais informações serão solicitadas, quando serão necessárias e quem responderá por elas.

Quais documentos costumam ser solicitados na auditoria independente?

A relação varia conforme o setor, o porte, os riscos, a estrutura societária e as características do exercício.

Em geral, podem ser solicitados:

Documentos societários e de governança

  • contrato ou estatuto social;
  • alterações societárias;
  • atas de reuniões;
  • livros societários;
  • acordos de sócios ou acionistas;
  • organograma;
  • procurações;
  • políticas internas;
  • aprovações de operações relevantes.

Informações contábeis

  • balancete;
  • razão contábil;
  • plano de contas;
  • diário;
  • composição dos saldos;
  • conciliações;
  • demonstrações contábeis;
  • notas explicativas;
  • lançamentos manuais;
  • relatórios de fechamento;
  • memória dos principais ajustes.

Informações bancárias e financeiras

  • extratos;
  • conciliações bancárias;
  • contratos de empréstimos;
  • financiamentos;
  • aplicações;
  • garantias;
  • derivativos;
  • posição de caixa;
  • fluxo de caixa;
  • confirmações bancárias.

Informações comerciais e operacionais

  • relatórios de faturamento;
  • pedidos;
  • contratos com clientes;
  • devoluções;
  • descontos;
  • bonificações;
  • corte de vendas;
  • recebimentos posteriores;
  • política de reconhecimento de receita.

Compras e fornecedores

  • pedidos de compra;
  • contratos;
  • notas fiscais;
  • comprovantes;
  • pagamentos posteriores;
  • relatórios de contas a pagar;
  • despesas apropriadas;
  • corte de compras e serviços.

Pessoal e folha

  • folha de pagamento;
  • provisões;
  • férias;
  • décimo terceiro;
  • encargos;
  • admissões e desligamentos;
  • remuneração da administração;
  • planos de incentivo;
  • benefícios;
  • contingências trabalhistas.

Jurídico e compliance

  • processos judiciais e administrativos;
  • cartas de advogados;
  • contratos relevantes;
  • autos de infração;
  • acordos;
  • contingências;
  • compromissos;
  • garantias;
  • investigações internas.

O objetivo não deve ser reunir uma grande quantidade de arquivos sem critério. Cada informação precisa estar relacionada ao saldo, à transação ou ao risco examinado.

Como organizar as conciliações contábeis?

Uma conciliação de qualidade demonstra como o saldo registrado se relaciona com a fonte que o sustenta.

Ela deve permitir que uma pessoa com conhecimento técnico compreenda:

  • de onde veio o saldo;
  • quais itens o compõem;
  • qual documento sustenta cada valor;
  • quais diferenças foram identificadas;
  • por que essas diferenças existem;
  • quando serão regularizadas;
  • quem revisou o trabalho.

Uma planilha que apenas repete o saldo do razão não funciona como conciliação.

As contas prioritárias geralmente incluem:

  • bancos;
  • aplicações;
  • clientes;
  • fornecedores;
  • estoques;
  • tributos;
  • empréstimos;
  • imobilizado;
  • intangíveis;
  • folha e encargos;
  • provisões;
  • contingências;
  • receitas;
  • despesas antecipadas;
  • mútuos;
  • partes relacionadas;
  • patrimônio líquido.

O grau de detalhamento deve ser proporcional à materialidade e ao risco.

Diferenças pequenas podem ganhar relevância quando são antigas, recorrentes, sem explicação ou indicativas de falhas no processo.

Como preparar os controles internos para a auditoria?

O auditor precisa compreender a entidade, seu ambiente e os controles relevantes para identificar e avaliar riscos de distorção relevante. A estrutura atual das normas brasileiras inclui a NBC TA 315 para identificação e avaliação de riscos, a NBC TA 330 para respostas aos riscos avaliados e a NBC TA 265 para comunicação de deficiências de controle interno.

A empresa deve documentar como os principais processos funcionam.

Essa documentação pode abranger:

  • início da transação;
  • registros no sistema;
  • aprovações;
  • segregação de funções;
  • integrações;
  • relatórios utilizados;
  • tratamento de exceções;
  • reconciliações;
  • revisão gerencial;
  • armazenamento das evidências.

Também é importante confirmar se o controle ocorreu durante todo o período.

Uma política aprovada não comprova, isoladamente, que o procedimento foi executado. A auditoria pode solicitar evidências como relatórios assinados, registros no sistema, aprovações eletrônicas, atas, e-mails, checklists e conciliações revisadas.

A preparação deve verificar três dimensões:

Desenho: o controle é capaz de prevenir ou detectar o risco?

Implementação: o controle foi colocado em prática?

Operação: o controle funcionou de maneira consistente durante o período?

Essa análise pode revelar pontos de melhoria antes do início dos testes.

Quais áreas merecem atenção especial?

Receita

A empresa precisa demonstrar quando e por qual valor a receita foi reconhecida.

Devem ser observados contratos, obrigações de desempenho, entrega de produtos ou serviços, aceite do cliente, cancelamentos, descontos, devoluções, bonificações e corte entre períodos.

Receitas registradas perto do encerramento costumam receber atenção por influenciarem diretamente o resultado.

Estoques

É necessário manter controles de quantidade, custo, movimentação, obsolescência e perdas.

A empresa deve planejar o inventário físico, organizar as áreas, identificar mercadorias de terceiros, separar itens danificados e controlar as movimentações durante a contagem.

Imobilizado e intangível

Aquisições, baixas, transferências, depreciação, amortização e testes de recuperabilidade precisam possuir suporte.

Projetos registrados como ativos devem apresentar critérios claros, documentação dos custos e evidências de que atendem aos requisitos contábeis aplicáveis.

Estimativas contábeis

Perdas esperadas, provisões, vida útil, valor residual, recuperabilidade, contingências e valor justo envolvem julgamento.

A administração deve documentar:

  • metodologia;
  • premissas;
  • fontes de dados;
  • responsáveis;
  • aprovações;
  • comparação com resultados anteriores;
  • análise de sensibilidade;
  • alterações realizadas.

Explicações produzidas somente após a solicitação da auditoria tendem a ser menos robustas do que análises realizadas durante o processo de fechamento.

Partes relacionadas

A empresa deve identificar pessoas e entidades relacionadas, mapear as transações e avaliar as divulgações necessárias.

O levantamento precisa envolver jurídico, societário, contabilidade e administração, pois nem todas as relações estarão visíveis diretamente no razão.

Contingências

As áreas jurídica e contábil devem utilizar uma base única ou conciliável.

Processos, avaliações de risco, valores, depósitos judiciais, garantias e movimentações precisam estar atualizados.

Diferenças entre o relatório jurídico e a contabilidade devem ser tratadas antes do envio aos auditores.

Continuidade operacional

A administração deve avaliar a capacidade de continuidade da empresa e documentar projeções, premissas e planos quando existirem incertezas relevantes.

A análise deve estar vinculada a dados de caixa, endividamento, vencimentos, orçamento, contratos e acesso a financiamento.

Como responder às solicitações da auditoria?

A qualidade da resposta importa tanto quanto a velocidade.

Uma boa entrega deve:

  • responder exatamente ao pedido;
  • utilizar a data-base correta;
  • reconciliar com a contabilidade;
  • apresentar identificação clara;
  • indicar a fonte;
  • conter evidência de revisão;
  • explicar diferenças;
  • proteger informações sensíveis;
  • utilizar o canal combinado;
  • evitar arquivos desnecessários.

Enviar um relatório extenso sem indicar onde está a informação solicitada transfere o trabalho de interpretação para o auditor e pode gerar novos questionamentos.

Quando a informação não estiver disponível, o responsável deve comunicar a situação, explicar a causa e propor um prazo realista.

Silêncio e sucessivos adiamentos comprometem o planejamento.

O que fazer com os ajustes identificados?

Cada ajuste proposto deve ser analisado tecnicamente.

A empresa precisa compreender:

  • qual conta será afetada;
  • qual período;
  • qual fundamento contábil;
  • qual impacto no resultado e patrimônio;
  • quais efeitos tributários;
  • se existem reflexos em contratos ou indicadores;
  • se o problema também afeta outros saldos;
  • qual processo originou a diferença.

A administração decide sobre o registro dos ajustes e assume a responsabilidade pelas demonstrações.

Distorções não corrigidas podem ser avaliadas individualmente e em conjunto pelo auditor, considerando materialidade, natureza e circunstâncias.

O ponto cego está em tratar o ajuste apenas como um lançamento de fechamento.

Quando a diferença resulta de cadastro inadequado, falha de integração, aprovação ausente ou critério incorreto, a causa deve entrar em um plano de ação.

Caso contrário, o mesmo ajuste tende a reaparecer no período seguinte.

Como reduzir pedidos repetidos todos os anos?

A empresa deve transformar a lista de auditoria em parte da rotina mensal.

Uma pasta anual preparada apenas perto do encerramento pode ser substituída por um repositório atualizado continuamente.

Entre as práticas úteis estão:

  • calendário de conciliações;
  • modelos padronizados;
  • responsáveis definidos por conta;
  • revisão mensal;
  • documentação das estimativas;
  • arquivo central de contratos;
  • controle das solicitações anteriores;
  • monitoramento dos planos de ação;
  • versão atualizada das notas explicativas;
  • registro das decisões contábeis relevantes.

A auditoria recorrente também deve considerar as alterações do exercício.

Reutilizar automaticamente a documentação do ano anterior cria o risco de ignorar mudanças em sistemas, pessoas, produtos, contratos e controles.

Quais erros devem ser evitados?

Começar a preparação depois do fechamento

Questões complexas exigem tempo para investigação, discussão e aprovação.

Entregar bases ainda sujeitas a alterações

Mudanças frequentes podem invalidar testes já realizados.

Ocultar ou adiar assuntos difíceis

Problemas conhecidos devem ser comunicados cedo. A descoberta tardia comprime o tempo disponível para análise.

Centralizar todas as respostas em uma pessoa

A concentração cria gargalos e aumenta a dependência.

Enviar documentos sem reconciliação

Relatórios que não fecham com a contabilidade geram dúvidas sobre completude e integridade.

Confundir explicação com evidência

Uma descrição verbal ajuda a entender a operação, mas saldos e transações precisam de suporte verificável.

Preparar a documentação apenas para o auditor

As informações devem servir primeiro à gestão e à governança da empresa.

O que muda em uma primeira auditoria independente?

A primeira auditoria costuma demandar mais esforço porque o auditor ainda precisa construir conhecimento sobre a empresa, seus processos, seus sistemas e seus saldos iniciais.

A organização deve reservar tempo adicional para:

  • apresentação do negócio;
  • histórico societário;
  • entendimento dos sistemas;
  • documentação de processos;
  • acesso a períodos anteriores;
  • análise dos saldos iniciais;
  • levantamento das políticas contábeis;
  • identificação das partes relacionadas;
  • revisão das demonstrações;
  • adequação das notas explicativas.

Também pode ser necessário reconstruir composições e conciliações que não eram mantidas anteriormente.

Esse trabalho representa uma oportunidade para estruturar a base dos exercícios seguintes.

A empresa deve evitar prometer um cronograma excessivamente curto apenas para antecipar a contratação. Um prazo irreal tende a produzir atrasos, pressão e perda de qualidade.

Auditoria independente pode melhorar a gestão?

O principal produto da auditoria é a opinião sobre as demonstrações contábeis.

O processo também pode ampliar a visibilidade sobre riscos, inconsistências, deficiências de controles e oportunidades de melhoria.

As normas brasileiras preveem comunicação com os responsáveis pela governança e comunicação de deficiências significativas de controle interno identificadas durante o trabalho.

A empresa obtém mais valor quando trata essas comunicações de forma estruturada.

Cada recomendação pode ser convertida em um plano com:

  • risco identificado;
  • causa;
  • impacto;
  • ação;
  • responsável;
  • prazo;
  • prioridade;
  • evidência de conclusão;
  • validação posterior.

A repetição de uma recomendação em anos sucessivos indica que a resposta anterior não eliminou a causa ou não foi implementada de maneira efetiva.

Checklist para preparação da auditoria independente

Antes do início do trabalho, a empresa deveria conseguir responder positivamente às seguintes perguntas:

  • O cronograma foi aprovado pelas áreas?
  • Os responsáveis estão definidos?
  • O balancete está fechado?
  • Os saldos relevantes estão conciliados?
  • As diferenças possuem explicação e plano de regularização?
  • Os relatórios fecham com a contabilidade?
  • Os documentos estão organizados?
  • As estimativas possuem memória de cálculo?
  • As políticas contábeis foram revisadas?
  • As notas explicativas foram atualizadas?
  • Os contratos relevantes estão disponíveis?
  • O inventário foi planejado?
  • As contingências foram conciliadas com o jurídico?
  • As partes relacionadas foram atualizadas?
  • Os eventos subsequentes estão sendo monitorados?
  • Os acessos aos sistemas foram testados?
  • As solicitações anteriores foram tratadas?
  • A administração conhece os principais julgamentos?
  • A governança foi informada sobre o processo?
  • Existe controle central das entregas?

Respostas negativas mostram onde a preparação deve concentrar esforços.

Como a IRKO pode apoiar sua empresa?

A preparação para uma auditoria independente exige conhecimento técnico, organização, disponibilidade das áreas e disciplina de fechamento.

A IRKO Hirashima atua em auditoria e serviços relacionados, considerando as características, os riscos e o ambiente de cada organização.

Uma abordagem planejada permite compreender antecipadamente:

  • o escopo do trabalho;
  • as áreas relevantes;
  • os documentos necessários;
  • os principais riscos;
  • o cronograma;
  • as responsabilidades;
  • os pontos que exigirão maior atenção.

A eficiência da auditoria começa na qualidade dos processos que produzem as demonstrações contábeis.

Empresas que mantêm saldos conciliados, evidências organizadas, controles ativos e responsabilidades definidas conseguem responder com mais segurança às solicitações e utilizar melhor os resultados do trabalho.

Preparar a empresa para a auditoria também significa fortalecer a confiabilidade da informação usada todos os dias pela administração.

Perguntas frequentes sobre auditoria independente

O que é uma auditoria independente?

É o exame das demonstrações contábeis realizado por auditor independente com o objetivo de expressar uma opinião sobre sua elaboração, em todos os aspectos relevantes, conforme a estrutura de relatório financeiro aplicável.

Quanto tempo dura uma auditoria?

O prazo depende do porte, da complexidade, do número de empresas, da qualidade dos registros, do nível de preparação e da disponibilidade das informações. O cronograma deve ser definido durante o planejamento.

Quem deve acompanhar a auditoria dentro da empresa?

Contabilidade ou controladoria normalmente coordena o processo, com participação do financeiro, fiscal, jurídico, recursos humanos, tecnologia, operações, administração e governança.

Quais documentos são solicitados?

Balancetes, razões, conciliações, contratos, extratos, relatórios operacionais, notas fiscais, documentos jurídicos, folha de pagamento, atas, políticas, estimativas e notas explicativas estão entre as solicitações possíveis.

O auditor prepara as demonstrações contábeis?

A administração é responsável pela elaboração e apresentação das demonstrações contábeis e pelos controles internos necessários. O auditor examina essas informações e emite sua opinião de forma independente.

A auditoria verifica todas as transações?

O trabalho é planejado de acordo com riscos e materialidade. Os procedimentos podem envolver amostragem, testes de controles, confirmações, análise documental e outros métodos.

A auditoria garante que não existe fraude?

A auditoria busca segurança razoável de que as demonstrações estão livres de distorções relevantes causadas por erro ou fraude. Segurança razoável representa um nível elevado, mas não absoluto.

O que acontece quando os documentos não são entregues?

A ausência de informações pode ampliar os procedimentos, atrasar o cronograma e limitar a obtenção de evidência apropriada e suficiente. Dependendo da relevância e da extensão, a situação pode afetar a opinião do auditor.

O que é carta de representação?

É uma declaração formal por escrito fornecida pela administração para confirmar responsabilidades e determinados assuntos relacionados à auditoria. Ela integra as evidências, mas não substitui outros procedimentos.

Como tornar a auditoria mais rápida?

A empresa deve planejar com antecedência, concluir conciliações, estabilizar as bases, organizar documentos, definir responsáveis e controlar as solicitações em um único fluxo.

O que fazer depois da auditoria?

Os ajustes e as recomendações devem ser analisados, priorizados e transformados em planos de ação com responsáveis, prazos e acompanhamento pela administração ou pela governança.

Cadastre-se no Blog

Nome(obrigatório)

Conteúdo Relacionado

Receba nossa newsletter

Este campo é para fins de validação e não deve ser alterado.