Desafios na prestação de serviços contábeis: veja um panorama das oportunidades

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Os desafios na na prestação de serviços contábeis não são uma realidade que surgiu atualmente. Na verdade, eles começam desde que tal atividade surgiu, junto com o comércio, há mais de 4 mil anos — há registros contábeis de escribas no Egito antigo que datam do ano de 2000 A.C.

No Brasil, as atividades de contabilidade começaram efetivamente com a vinda da família real, em 1808, e com a fundação do Banco do Brasil, no mesmo ano. Foi nesse momento que o reinado constatou a necessidade de melhorar a parte fiscal, já que houve aumento tanto nos gastos quanto na arrecadação pública.

No entanto, se na antiguidade essa atividade era extremamente rudimentar, apenas focada no registro dos fatos e, posteriormente, no cálculo de impostos para os governos, a contabilidade acompanhou a evolução da sociedade e, com isso, enfrentou — e ainda enfrenta — uma série de desafios na profissão. E é sobre esses desafios e as oportunidades que eles trazem que vamos falar neste artigo. Confira!

Principais desafios na prestação de serviços contábeis

No Brasil, toda empresa é obrigada, por lei, a ter um contador (exceção feita aos microempreendedores individuais). Logo, isso pode ser visto como um benefício à profissão, mas traz consigo o desafio ao contador de não ser percebido como uma obrigatoriedade apenas.

Se amanhã o governo assinasse um decreto extinguindo essa exigência, com certeza boa parte das empresas e profissionais desse mercado sofreriam graves consequências.

Portanto, um dos grandes desafios para a contabilidade é gerar a percepção de valor, de modo que as empresas percebam o trabalho do contador não como uma burocracia ou obrigatoriedade, e sim como um aliado na gestão do negócio, como um consultor.

Para que isso aconteça, o primeiro passo é deixar de ser visto como um “fazedor” de coisas, ou seja, aquele profissional que se preocupa apenas com as atividades operacionais, como gerar notas fiscais e fazer imposto de renda. É necessário mostrar-se atento e analítico, contribuindo com a empresa a partir de dados que só se detecta com uma boa análise contábil.

Mas, convenhamos, isso nem sempre é fácil. Para se tornar analítico, é preciso manter-se atualizado em relação às regras e normas que regulam a contabilidade fiscal, tributária, trabalhista etc. do nosso país. E esse é outro dos desafios na contabilidade, já que as mudanças são constantes.

É preciso procurar cursos, participar de eventos, promover debates, fazer especializações, ler livros da área, acompanhar os movimentos do governo, enfim, prezar pela constante atualização, a fim de se tornar um profissional cada vez mais completo.

A utilização de novas tecnologias é outro ponto importante que impacta a visão do empresário em relação ao trabalho da contabilidade. A repetição de informações, o envio frequente de papéis e mais papéis deixam o contador com a imagem do burocrata. Conhecer esses sistemas e saber como utilizá-los para automatizar determinadas operações e diminuir a incidência de erros é, também, um dos desafios presente.

Mas ao mesmo tempo que a tecnologia pode ser uma aliada do trabalho do contador, ela pode ser vista como uma ameaça, já que empresas de contabilidade que atuam online têm tido uma fatia cada vez maior do mercado. Mais uma vez, mostrar-se como um verdadeiro consultor — não como um burocrata — é uma saída para tal situação.

Oportunidades para a empresa de contabilidade

Apesar dos desafios presentes, são diversas as oportunidades que o mercado sugere.  Listamos, agora, 3 dessas oportunidades que podem impactar o trabalho do contador em curto e médio prazo:

1. Aumento do empreendedorismo

Se você se atentar ao LinkedIn durante poucos minutos, verá o quanto o empreendedorismo tem sido estimulado em nosso país. Além desse estímulo, a alta taxa de desemprego no Brasil tem criado uma realidade de abertura de empresas, já que muitos profissionais se veem sem saída, a não ser criar o próprio negócio.

Esse tipo de empreendedorismo por necessidade acarreta em empresas cujos donos não estão totalmente familiarizados com a gestão de um negócio. Desse modo, precisam do apoio de profissionais especializados.

Essa é, então, uma grande oportunidade para os contadores. Já que as empresas são obrigadas por lei a ter contadores, por que não se mostrar verdadeiramente preocupado com a evolução do cliente e ajudá-lo nessa nova empreitada?

2. Nichos de mercado

Há dois caminhos que um profissional da área de contabilidade pode tomar: ser um generalista ou um especialista. O generalista sempre encontrará uma fatia importante do mercado, mas concorrerá com uma série de outros profissionais. Além disso, quanto maior um mercado, maior a chance de uma nova tecnologia surgir para tentar abocanhá-lo.

O especialista, entretanto, pode sair desse mar vermelho e procurar um oceano azul ao buscar nichos de mercado, áreas que exigem certa especialização e que têm potencial de crescimento ou, ao menos, de se manterem estáveis. Como exemplos, podemos citar a área da saúde — que sempre vai se manter atual, já que é uma necessidade de toda a população — e a de tecnologia e de startups, em franco crescimento em nosso país.

3. Foco no relacionamento

Pode parecer básico, mas a realidade é que muitos empresários — principalmente os donos de pequenas empresas — sequer se lembram do rosto do contador. Na prática, para eles esses profissionais são apenas as pessoas que ligam de vez em quando para saber dos malotes e, uma vez por ano, ajudam na declaração do imposto de renda.

Fazer reuniões periódicas com os empresários, analisar com certa frequência o mercado dos seus clientes, apresentar soluções criativas — e proativas — criam boas possibilidades para manter esse contato sempre próximo.

Como você pode observar, essas oportunidades estão disponíveis a todos os profissionais e necessitam apenas de uma pequena mudança de pensamento — que passa, essencialmente, por trabalhar de forma cada vez mais analítica e menos operacional.

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