Como se preparar para o processo de abertura de capital?

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A abertura de capital representa um marco na trajetória de qualquer empresa. Seus impactos são extremamente relevantes, além de influenciarem na própria capacidade operacional do negócio. Contudo, todo movimento estratégico tão significativo como esse exige um bom planejamento.

Afinal, o que é preciso ter em mente para se preparar? A resposta envolve uma série de fatores, a começar pelo entendimento sobre o que significa de fato abrir capital. Pensando nisso, nos reunimos com uma especialista no assunto para criar este conteúdo especial.

Vania Muzel é mestre em Controladoria e Contabilidade, além de Diretora Associada da Irko Hirashima. Este artigo vai ajudar você a se aprofundar no assunto por meio das dicas de quem mais entende da questão. Confira!

Abertura de capital: quais as principais vantagens

A abertura de capital traz consigo uma série de benefícios, a começar pelo “aumento da liquidez do patrimônio dos sócios, ao terem suas ações negociadas em bolsa”, explica Vania Muzel. Somado a isso, ela cita ainda a própria questão dos investimentos que podem ser realizados com os recursos obtidos na emissão das ações.

Na prática, trata-se de uma possibilidade valiosa de atrair ainda mais recursos, proporcionando melhorias para a estratégia de negócios. O caixa também tende a respirar com mais tranquilidade, graças à “redução do custo de capital da companhia, já que o aumento do capital reduzirá os índices de endividamento”.

Outras vantagens citadas por Vania são:

  • “a possibilidade de remunerar empregados e outros prestadores de serviços com ações da empresa, como incentivo de melhora da performance”;
  • “a possibilidade de emissão de debêntures, que é uma fonte de financiamento que podem ter custos mais reduzidos que financiamentos diretos com grandes bancos”;
  • “maior facilidade na aquisição de outras empresas com ações da própria companhia”.

Vejamos, então, quais são as etapas desse processo.

O passo a passo para abrir capital

As chamadas “janelas de mercado”, como explica Vania Muzel, são os momentos mais propícios para realizar o processo. “Uma empresa que quer abrir seu capital precisa se preparar com antecedência, a fim de estar pronta quando essa ‘janela’ aparece, a fim de maximizar os resultados de seu IPO”, diz, se referindo ao Initial Public Offering.

A especialista destaca que o processo pode ser separado em duas etapas: antes e durante o IPO. Em relação à primeira parte, ela detalha que é “quando a empresa, com assessoria externa de advogados e consultores, fará uma auto-avaliação sobre onde está e onde precisa estar para atender a todos os requisitos de uma companhia aberta”.

Os requisitos dependem do segmento de mercado. “A B3, além do segmento tradicional, dispõe de outros segmentos de listagem, os chamados segmentos especiais de Governança Corporativa” ela conta. Cada um deles tem suas próprias exigências relacionadas à “divulgação de informações, à estrutura societária, à estrutura acionária, ao percentual de ações em circulação”, entre outros.

A escolha deve ser inteligente, pois ela é capaz de aumentar a exposição no mercado e ajudar a construir um histórico de relacionamento com os investidores. “Essa preparação pode levar de oito meses a três anos, a depender de cada empresa”, destaca Vania.

O início do IPO, por sua vez, envolve a escolha de um “intermediário financeiro, que pode ser um banco ou uma corretora”. Suas funções incluem:

  • coordenar procedimentos de registro na CVM;
  • criar o cronograma da oferta;
  • coordenar o processo de formação de preço;
  • criar o plano de distribuição;
  • organizar a apresentação da operação ao mercado, também conhecida como Roadshow;
  • planejar e executar a due diligence para checar a consistência das informações.

Deve ser submetido, então, um protocolo de pedido de registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) junto à solicitação de autorização para distribuição pública de ações. A CVM é o “órgão regulador e fiscalizador do mercado de capitais brasileiro”, explica Vania.

Os principais desafios e como se preparar

A especialista considera que o principal desafio é cultural: “a mudança de mindset de que a abertura de capital é contínua, não é uma data específica”. Isso exige engajamento dos departamentos, não só da controladoria.

Somado a isso, “existem as questões de compromisso com a confidencialidade decorrentes do acesso a informações privilegiadas e prestação de contas aos acionistas minoritários, , também chamados de acionistas não controladores”, explica. Somado a isso, “existem as questões de compromisso com a confidencialidade decorrentes do acesso a informações privilegiadas e prestação de contas aos acionistas minoritários, também chamados de acionistas não controladores”, explica. Em outras palavras, a transparência é fundamental.

O primeiro passo para se preparar, segundo ela, é buscar “as melhores práticas de governança corporativa e a profissionalização da gestão. (…) Buscar apoio de consultores e advogados experientes no apoio de preparação de empresas na abertura de capital, tanto na fase preliminar como no processo de abertura em si”.

“Esses profissionais devem apoiar a empresa não somente na abertura do capital, mas ajudar a empresa a garantir que estará pronta para cumprir todas as exigências contínuas de uma empresa aberta”, complementa. Como mencionado anteriormente, suas atividades envolverão, por exemplo, um diagnóstico de onde a empresa está e onde precisa estar para abrir seu capital.

Os consultores são fundamentais, pois são capazes de identificar as lacunas (gaps) e elaborar um planejamento eficiente para que a transição seja bem-sucedida. O processo pode ser complexo para equipes internas que não estão adaptadas às suas peculiaridades, por isso o apoio é extremamente valioso.

As atividades desenvolvidas vão “desde mudanças simples, como melhorias ou implementação de novos controles internos, até a criação de novos departamentos (relação com investidores, auditoria interna), composição e estruturação do Conselho de Administração e outros órgãos de governança ou comitês (Conselho fiscal, Comitê de Auditoria Estatutário), práticas de compensação e de negócios com partes relacionadas, e código de ética e conduta”.

Vania dá ainda uma dica importante: “o Instituto Brasileiro de Relações com Investidores (IBRI), em conjunto com a B3, lançou o Guia de Relações com Investidores que tem como objetivo trazer para o mercado de capitais uma referência sobre as melhores práticas de RI”.

Por fim, a especialista destaca a importância de contar com o apoio de especialistas em um momento de tanta aprendizagem e amadurecimento. A equipe deve estar motivada para manter o cumprimento dos prazos e a conformidade com a legislação, algo que exige organização e experiência.

Como você pôde ver, o caminho exige uma preparação robusta e muita atenção às regras impostas pela legislação. Então, não deixe de contar com o apoio de quem mais entende do assunto e faça da abertura de capital um salto evolutivo para sua empresa!

Se quer tranquilidade e eficiência nesse processo, entre em contato com a Irko e fale com quem é referência nacional em contabilidade!

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